Algo me inspira. Sinto qualquer coisa de exterior a tocar-me daquela forma. Ao de leve, mas no centro dos sentidos. Prometendo agitar o berço do repouso do que é.
Quero agarrar esta mão invisível. Quero escrever o poema, pleno da vida que bate com o seu toque. Sinto os versos cardíacos a sussurrar: "Mais... mais!..."
Não sei juntar páginas soltas ao livro do dia-a-dia. Como viver esta arte, e ultrapassar a matéria, a realidade (acordos e expectativas) ?
Sei só que uma mão suave fez bater de rompante o coração. Uma mão tão forte que o faz sem o querer, sem o saber sequer. Uma mão que tinge de vermelho o pôr-do-sol e pinta de espuma as ondas, numa praia que era simples harmonia.
Uma mão veio desafiar o quadro. As ondas ressoam cá dentro. Num apelo lindo e escondido como o de um búzio. Enrolar-me na espuma e aceitar a maré - que ora arrasta consigo, ora devolve à orla costeira.
Sublime e poderosa Natureza.
E um quadro inacabado...